quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Lua Nua

Quando a noite dorme

e as janelas apagam as luzes

pálidas que vazavam as cortinas,

meus pensamentos, que não têm direção,

buscam a luz da Lua.

E ficam extasiados com sua rota

regular sobre a minha cabeça.

Meu olhar já não a vê.

Apenas meus pensamentos a sentem.

Nua, branca, Lua.

Não soube avistar meu dia

nem meus desejos inconfessos,

porque enluarava outros pólos.

Saberia ela, agora, o que tateio em versos?

Saberia ela que a noite já sonha reversos?

É sempre assim quando a noite dorme:

um amassar de folhas,

um apagar de letras,

um despertar de instintos.

Quando a noite dorme

é que o beijo desenha o riso.

No silêncio, a melodia sem siso

dança na pele o improviso.

Eu, desperta pelos pensamentos,

viajo por dentro da noite.

Permito-me doces caminhos

em sonhos alados e incontidos:

deposito um beijo em tua fronte

acaricio tua alma

e retorno para o meu ninho.

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