terça-feira, 18 de março de 2008

Lava Incandescente

Se todo poema é tradução
do amor, do riso, da oração
o não poetar é quase um confronto
entre a loucura e a razão.

Se todo amor é traduzido
em gestos, olhares, sorrisos
não amar é um conflito
entre o inferno e o paraíso.

Se todo gesto é carinho
em uma razão quase ausente
amar é a loucura mais doce
que desgoverna a alma da gente.

Extraio da vida o seu sumo.
Sigo em frente, busco o rumo.
Amo, rio, choro, enlouqueço.
Aquieto. Descanso. Recomeço.

Insisto
Persisto
Cambaleio.
Finjo-me de verde
Viro mata
densa, misteriosa, consistente.
Mas na verdade
sou um vulcão em erupção
sou uma lava incandescente.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Feitiço


Respirei teu cio

Amordacei teus arrepios

Deite-me pálida!

Arranhei teus desejos

Aqueci-te sem pejos

Deixei-te em brasa

Guardei-te indômito

Preenchi-me do teu calor

Tornei-me lava.

Silenciei teu signo

Arranquei teus espinhos

Sagrei-me fada.

Bebi teus líquidos

Quebrei as taças

Tornei-me saga!

sábado, 8 de março de 2008

Criado(a) Oculto(a)

A você, anônimo(a) que há meses me persegue.

Há uma noite estranha lá fora.

Nenhuma Lua, nenhuma estrela.

Céu de escuridão infinita.

Uma noite assim deveria servir para a face anônima.

Creio até que é a foto explícita de quem se esconde.

Qual seria o medo de quem se esconde?

Medo ou tara?

Qual seria o seu complexo?

O seu grau de inferioridade?

Inferioridade ou covardia?

Não aceito um ser vazio de espiritualidade.

Os covardes são.

Quem não se mostra não se revela não se gosta.

Sente-se verme.

Não seria a hora de sair do anonimato e se mostrar?

Rastejar não é humano.

Tenho desprezo pelo fel que vomita e pelo veneno que destila.

O seu antídoto seria menos doloroso, se vestisse a hombridade.

Tenta! Mostra a cara! Identifique-se!

Busque sair desse mundinho restrito e infeliz.

E encontre-se ou se mate!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Silogismo

Se eu pudesse levar-te-ia
numa viagem sem itinerário
por terras longínquas e naturais
para amar-te além dos umbrais.

Ah, se eu pudesse ter-te
sempre sem horário
em quebras de silêncio
em afagos demorados.

Quisera eu ter-te fremente
entre urgências
(passional e esfomeado)
Ah, quisera eu saciar-te.

Fica atento que a noite surge.
Ouve o mar que de longe ruge.

Pudesse eu dar-te-ia as ondas
que de mim emergem
para juntar ao teu oceano
que bem sei, profundo.

sábado, 1 de março de 2008

Entre a Pluma e Lua



Amei-te, sim. Até mais que a mim mesma
Deixei meus sonhos para sonhar os teus
Enxergava-te um céu repleto de estrelas
Assim, tornei-me Lua para fazer-te meu.

Solitária, acompanhei teus passos
organizando nuvens, escondendo o clarão
Enquanto dia, foste alado, pluma
Anoitecia, tornavas um dragão

E fui esvaindo sombra ao invés de brilho
já que não vias nem as minhas mutações
Eu só minguava, nem mais reluzia
Crescente mágoa no meu coração.

Deixei-te assim, proprietário dos teus sonhos
Não mais celeste, não mais senhor
Recuperei meus sonhos e os doei à Lua
Voltei a ser a mulher que sou...

Elipse


Na pele
da pele
Entre
entremeios,
amor,
calor,
ação.
Coração
pulsa,
descompassa.
Tátil.
Fácil
emoção.
Na pele, dentre a pele
ligas.
Conexões.
Na pele, o
sim e o
não.
Apatia?
Loucuras?
Livre imaginação

Paixão


E como o tempo não nega,
não desmente, não encoberta,
e toda a luz que emana
vem da pele que inflama,
há que se ter poesia
no nosso amor que é chama!

Refém da luminosidade

Quando a nuvem passa em novelos

seguindo sua trajetória

me junto a ela e aporto em teu mundo.

Abra teus braços

e serás meu universo.

Acompanho teus movimentos

sempre poéticos.

Encosto-me em tua pele

Eu, como brisa, roço teus lábios

e neles deixo apenas um verso:

"A noite é arteira

e eu, fogueira".