domingo, 20 de janeiro de 2008

Bastidores


Não. Não vou sentar à tua sombra para ouvir soluços
Quem muito chora nem sente a própria lágrima
Não percebe a mudez de um olhar obscuro
Nem desfaz o choro por não saber a hora.

Há algo estranho no exagero em querer
Sonhos invadem, vivem, às vezes, mudam
Trocam de órbita, de ritmo, de postura
às vezes morrem ao nascer da aurora.

Não. A noite é escura e a Lua, cúmplice
Em cada estrela há um piscar dolente
Se me ativer a este rogo inútil
nem viro orvalho e nem madrugo

Então me escuta. Guarda este lamento
para a derradeira hora. A verdade galopeia
e muito. Reserva tuas águas para a imensa vaia.
Já que a platéia em surdina, goza.

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